Decoração
Cenografia ajuda nas vendas
Redação - Lugar Certo
Construtoras adotam estratégia de apresentar casas e apartamentos decorados no local da obra para atrair compradores. Resultado positivo entusiasma arquitetos e decoradores
| Fotos: Gladyston Rodriguês |
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Texto: Janine Diniz
Quem conhece a propaganda visite o apartamento decorado no local não imagina a eficácia dessa estratégia de marketing para o alcance de um bom resultado nas vendas de residências em prédios e condomínios fechados. Várias construtoras têm usado cada vez mais o recurso do apartamento-modelo, que encanta e informa os clientes sobre as possibilidades de uso do espaço a ser adquirido. As opções de demonstração são variadas, definidas conforme o porte, o custo, o local e o espaço disponível para o empreendimento. Há construtoras que montam um cenário dentro do próprio estande de vendas. Outras constroem um apartamento no tamanho original, próximo ao edifício ou condomínio, ou uma casa cenográfica, montada apenas com o objetivo de demonstração. Também há casos em o empreendedor decora uma das unidades que estão à venda, justamente para demonstrar como o imóvel poderá ficar depois de adquirido. Na verdade, a decoração vai muito além da colocação de objetos ornamentais, pois significa a montagem de uma moradia completa. O trabalho, geralmente realizado sob a orientação de um arquiteto ou decorador, cria um ambiente pronto para ser habitado, no qual são instalados eletrodomésticos, móveis, roupas de cama, mesa, banho, acessórios de banheiro e cozinha, rebaixamento de teto para a colocação de acabamento em gesso, quadros e objetos de adorno, entre outros mimos de uma decoração bem-feita em todos os cômodos. Segundo José Francisco Cançado, diretor da Conartes Engenharia e Edificações, para o caso de o apartamento decorado ser um dos que está à venda, pode acontecer de o cliente se encantar tanto por ele a ponto de decidir comprá-lo como está, incluindo toda a decoração. Ele construiu o Edifício Isadora Duncan, com 78 apartamentos, na Rua Vinicius de Moraes, no Bairro Luxemburgo, e decorou um dos imóveis.
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Quando um cliente foi conhecer, resolveu comprá-lo como estava, com tudo dentro. Vendi dessa forma e resolvi decorar outro, no mesmo prédio. Vendi de novo. Outro cliente apareceu e comprou o apartamento com toda a decoração, comemora o empresário.
Para o arquiteto Eduardo Beggiato, responsável pelo primeiro apartamento decorado do Isadora Duncan, um dos principais motivos para o encantamento é a visualização exata de que é possível transformar um espaço vazio em lugar bem agradável para se viver, para todos os membros da família. Ao mesmo tempo, o comprador tem noção de que o imóvel poderá comportar todos os móveis e objetos que compõem uma residência.
ContemporâneoProcuro sempre deixar espaço para móveis que fazem parte da história da família e que, provavelmente, não serão deixados para trás no caso da compra do imóvel com a decoração já pronta. A casa é a história da família e os objetos fazem parte dela, explica Eduardo, que também cria ambientes em que o estilo agrada à maior parte das pessoas. Trabalho com o contemporâneo, com uma decoração mais limpa e sem excessos, garante. O trabalho de Eduardo agradou o empresário Mayk Wakil, que adquiriu o primeiro apartamento decorado. Comprei de porteira fechada, declara. Na época, visitou o imóvel junto com a noiva. Ambos fizeram uma foto em frente a um espelho emoldurado. Quando compraram o apartamento, mandaram buscar o espelho de volta na loja, pois havia sido devolvido. Outro contratempo foi a reforma do piso. Antes de mudarmos, a construtora tirou todos os móveis para recuperar o piso, que ficou um pouco danificado pela intensa visitação. Depois, voltaram com tudo para o exato lugar em que estava antes, para atender nossa expectativa inicial, lembra. Para Mayk, o sucesso do apartamento decorado realmente continuou dando frutos. Não somente um segundo imóvel foi decorado e vendido como estava para outro
comprador, mas um terceiro cliente comprou outro apartamento no prédio e solicitou uma decoração igual à do modelo original. (JD)
EXEMPLO VEM DE FORAPara Flávio Galizzi, diretor-executivo da Valore Imóveis, os apartamentos decorados são uma realidade comum em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Ele próprio já passou pela experiência ao comprar casas depois de conhecer o modelo decorado no local de vendas. Isso aconteceu quando morei nos EUA. Entrei e me senti em casa. Serviram-me café, havia música ambiente e um certo cheiro diferente, como se o local fosse habitado há muito tempo. Eles tentam dar ao ambiente um ar de familiaridade para atrair compradores, lembra. Flávio relata a inusitada experiência vivida por ele recentemente, ao atender uma pessoa que queria ver um imóvel no Condomínio Vila Gardner, na região de Nova Lima. O cliente entrou no apartamento decorado, montado no local para auxiliar as vendas durante a construção dos prédios. Interessou-se por um filme que passava no DVD. Sentou no sofá e assistiu até o fim. Ficou tão satisfeito com o conforto da casa que comprou o dúplex, afirma. O mérito da venda se deve, em grande parte, ao projeto de decoração, realizado por Sandra Penna, dona da galeria Sandra e Márcio, que é especializada em objetos de arte, antigüidades e decoração. Ela criou um ambiente sofisticado e, ao mesmo tempo, aconchegante. Equilibrou o uso de objetos antigos e materiais naturais, como eletrodomésticos de última geração.
A decoradora obteve autorização para trabalhar livremente, pensando no alto padrão das famílias que vão morar no local. Idealizou, então, um perfil para cada um de seus membros, criando uma história familiar que os unisse e, ao mesmo tempo, justificasse o uso dos elementos decorativos escolhidos para o espaço de cada morador. Elementos tribais, um quarto zen,peças dos artistas plásticos Amílcar de Castro e Lorenzato, entre outros artistas, cores e tonalidades inspiradas nas montanhas mineiras. De fato, mesmo sendo um cenário, o apartamento foi transformado num lugar de morar e, como tal, deveria ter memória, cultura e arte. Meu maior elogio, entretanto, foi o resultado das vendas, que cresceram após a visualização do projeto, conclui. (JD)
INVESTIMENTO OBTÉM RETORNOO custo e o tempo gastos na montagem dos modelos de casas e apartamento variam conforme o padrão do empreendimento. Para a Conartes, cada apartamento decorado no Edifício Isadora Duncan significou um gasto superior a R$ 40 mil. Recuperei o investimento parcialmente no preço davenda, que de R$ 200 mil passou a R$ 230 mil, afirma José Francisco. Em imóveis mais caros, a estratégia pode ser até mais ousada. A Conartes também usou a estratégia de decoração de ambientes para vender apartamentos no Sion, avaliados em R$ 800 mil. Investi R$ 50 mil só na decoração da sala. Mais uma vez a estratégia deu certo. O cliente comprou o imóvel com a sala completa, afirma o construtor. O sucesso dos apartamentos decorados também foi registrado por Eduardo Barretto, vice-presidente comercial da MRV Engenharia. Segundo ele, o apartamento-modelo mostra todas as qualidades oferecidas pelo imóvel, principalmente o tamanho, pois há uma real preocupação em relação ao espaço para os móveis. Usamos mais essa estratégia em cidades onde a construtora está começando a investir ou em regiões onde há outros lançamentos. A visualização do modelo é um facilitador para as vendas, garante. Em Belo Horizonte, a MRV tem hoje quatro apartamentos-modelo abertos para visitação. Um fica no estande de vendas da empresa, no Buritis. A empresa também já investiu em casas decoradas, alcançando bons resultados de venda, algumas sendo compradas com tudo dentro, à semelhança do que aconteceu com os apartamentos da Conartes. O investimento na montagem fica entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, mas vale a pena. Dependendo da situação, o retorno é sempre muito bom, afirma Eduardo. (JD)